Aqueles que não têm apoio sofrem com empobrecimento do convívio social e tem dificuldades na recuperação
Frank Neres
19/03/2011
Uma pesquisa da Clínica de Reabilitação Mental do hospital estadual de Taipas, unidade da Secretaria de Estado da Saúde, revelou que a presença famíliar é fundamental para a recuperação de dependentes de álcool e outras drogas. No estudo, foram observados 171 casos entre maio de 2009 e maio de 2010. Outra constatação foi que a dependência alcoólica representa 45% dos pacientes internados para desintoxicação.
Dos casos analisados 92% contaram com o apoio de familiares durante a internação. Já os 8% que não obtiveram acompanhamento apresentaram histórico de rompimento de vínculo familiar e de empobrecimento do convívio social, causando dificuldade ao tratamento.
Além do acompanhamento psiquiátrico e psicoterapêutico, os familiares têm importante papel dentro do processo de desintoxicação realizado no período de internação. Eles participam de grupos de apoio. Os parentes de internados com casos mais complexos também participam de atendimento individual.
“As famílias são envolvidas com objetivo de redefinir o sintoma, resgatar a mútua responsabilidade de cada membro pelo funcionamento do paciente internado e ampliar a rede de ajuda posterior à alta hospitalar”, afirmou a assistente social da Clínica de Reabilitação Mental do hospital, Madalena de Fátima Marques.
De acordo com Vera Lúcia Gomes, psiquiatra do serviço, os dependentes de álcool são os mais suscetíveis a recaídas. “Às vezes, ao ver o paciente em melhor estado, a própria família o estimula a tomar bebida alcoólica em período de reabilitação, durante encontros sociais, como festas e happy hour”, explicou a especialista.
Fonte: http://www.estacaonoticia.com.br/site/noticia.imp.php?id=5325
Blog destinado a troca de informações sobre uso de psicoativos, redução de danos, políticas públicas e saúde mental
quinta-feira, 24 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
‘Drugs, Social Control and Social Exclusion’
The School of Law, Birkbeck College, UK — 28 June 2011
March 14, 2011
Filed under Events, Upcoming Events
The International Centre on Human Rights and Drug Policy will be speaking as part of a public lecture on the topic of ‘Drugs, Social Control and Social Exclusion’. This event is part of the Law on Trial seminar series, organised by the School of Law, Birkbeck College, London.
Law on Trial provides a platform on which academics, trade unionists, practitioners and activists can present alternative and progressive thinking about law and its relationship to society and economy. The events are free and open to everyone.
March 14, 2011
Filed under Events, Upcoming Events
The International Centre on Human Rights and Drug Policy will be speaking as part of a public lecture on the topic of ‘Drugs, Social Control and Social Exclusion’. This event is part of the Law on Trial seminar series, organised by the School of Law, Birkbeck College, London.
Law on Trial provides a platform on which academics, trade unionists, practitioners and activists can present alternative and progressive thinking about law and its relationship to society and economy. The events are free and open to everyone.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
I Encontro Regional de Políticas Públicas Culturais de Convivência e Paz (BA)
Re-blogado de evolução hip-hop
O plantão de Convivência e Cultura de Paz do Instituto Pólis informa que já estão abertas as inscrições para os interessados em participar do I Encontro Regional de Políticas Públicas Culturais de Convivência e Paz , que irá se realizar nos dia 19 e 20 de fevereiro de 2011, no Teatro Espaço Xisto (Rua General Labatut, 27, Barris – Salvador – BA).
O Encontro será um espaço de troca de saberes onde a organização do evento pretende potencializar o conhecimento d@s ponteir@s entorno das principais políticas públicas culturais nacionais e locais e formar multiplicadores em Educação Cultural para a Convivência e Cultura de Paz.
A inscrição é gratuita e poderá ser feita pelo link: https://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dGZFaS1FbnI1TEdobmpjRTdjMFZKZlE6MQ
Mais informações: (55 11) 2174 6800/ 2021
Tags: I Encontro Regional de Políticas Públicas Culturais de Convivência e Paz, I Encontro Regional de Políticas Públicas Culturais de Convivência e Paz (BA)
O plantão de Convivência e Cultura de Paz do Instituto Pólis informa que já estão abertas as inscrições para os interessados em participar do I Encontro Regional de Políticas Públicas Culturais de Convivência e Paz , que irá se realizar nos dia 19 e 20 de fevereiro de 2011, no Teatro Espaço Xisto (Rua General Labatut, 27, Barris – Salvador – BA).
O Encontro será um espaço de troca de saberes onde a organização do evento pretende potencializar o conhecimento d@s ponteir@s entorno das principais políticas públicas culturais nacionais e locais e formar multiplicadores em Educação Cultural para a Convivência e Cultura de Paz.
A inscrição é gratuita e poderá ser feita pelo link: https://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dGZFaS1FbnI1TEdobmpjRTdjMFZKZlE6MQ
Mais informações: (55 11) 2174 6800/ 2021
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
A inimputabilidade do drogado - retirado de coletivo DAR
Coletivo DAR
No último dia 19/12, na Folha de São Paulo, pudemos acompanhar mais um caso de denúncia de maus-tratos em clínicas de “reabilitação” de dependentes. São impressionantes as imagens relatadas, os métodos brutais, mas mais impressionante do que esse simulacro de prisão ou de campo de concentração é a reação do dono do estabelecimento: “Denúncia de drogado não deve ser levada a sério”. Um salto qualitativo em relação à Nuremberg: o acusado não lava as mãos falando que apenas cumpria algum tipo de ordem (ou de protocolo, a versão contemporânea do chefe). Não, ele aponta para a questão de que um drogado pode falar qualquer coisa para não se afastar das drogas, não pode então ser considerado como um sujeito razoável capaz de avaliar a própria condição desumana à qual é subjulgado.
É o manicômio do século XXI: sedação, regimes de solitária para os que causam mais problemas, tortura e castigos físicos e psicológicos, tudo isso para resgatar a sanidade daqueles que caíram nas fendas do vício e da impureza. Pois afinal, tratar um usuário de crack mantendo ele completamente dopado de substâncias vendidas na farmácia parece ser uma boa idéia (um coquetel de Fenergan, Haldol e Diazepan, coisa leve, “recreativa”, diriam os defensores da legalização). O problema parece se situar mais na espiritualidade corrompida do jovem, que se entrega ao hábito ilícito, do que no fato dele não ter controle sobre o uso do próprio corpo, virtude que se mostra negada à força nesse tipo de clínica estilo “Auschwitz”.
Como também vimos recentemente numa pesquisa da Fundação Perseu Abramo, os usuários de drogas são, ao lado dos ateus, as pessoas mais odiadas pela população. Isso nos aponta tanto o descaso público com relação a esse tipo de estabelecimento brutal (que são vários, embora a denúncia só tenha revelado um) e também o que leva aos donos e aos profissionais que lá trabalham a aceitarem esse tipo de “proposta”.
O drogado, segundo essa lógica, é uma pessoa inimputável, está completamente fora de si em razão da fissura pela droga. Logo, ela deve ser submetida, necessariamente, a coisas as quais ela não vai gostar, a começar pelo afastamento compulsório da droga (saúde nesse caso é sinônimo de abstinência.Das drogas ilícitas claro, ninguém liga para um café ou uma cervejinha). Se já não bastasse esse ideal de abstinência, carregado de ranço e proselitismo religioso, os meios de atingi-lo também parecem mais com as cruzadas cristãs, que invadiam, massacravam e pilhavam em nome de Deus.
Ao negar a cidadania ao dependente de drogas, abra-se mão de tratá-lo como humano. Pior, abre-se mão de tratá-lo como alguém que pode necessitar do sistema de saúde como todos os outros cidadãos. A lógica da abstinência coloca-a como a mais imprescindível das prerrogativas até mesmo para o atendimento de saúde. Até que o dependente pare definitivamente e para sempre de usar sua substância (ilícita), todos e quaisquer problemas de saúde que ele venha a ter serão em função desse uso, e de nada adiantará tratá-lo, pois a saúde definitiva não pode se distanciar do respeito às leis. O fascismo não necessita mais de suas figuras carismáticas para impregnar a sociedade de suas idéias e suas metodologias.
No último dia 19/12, na Folha de São Paulo, pudemos acompanhar mais um caso de denúncia de maus-tratos em clínicas de “reabilitação” de dependentes. São impressionantes as imagens relatadas, os métodos brutais, mas mais impressionante do que esse simulacro de prisão ou de campo de concentração é a reação do dono do estabelecimento: “Denúncia de drogado não deve ser levada a sério”. Um salto qualitativo em relação à Nuremberg: o acusado não lava as mãos falando que apenas cumpria algum tipo de ordem (ou de protocolo, a versão contemporânea do chefe). Não, ele aponta para a questão de que um drogado pode falar qualquer coisa para não se afastar das drogas, não pode então ser considerado como um sujeito razoável capaz de avaliar a própria condição desumana à qual é subjulgado.
É o manicômio do século XXI: sedação, regimes de solitária para os que causam mais problemas, tortura e castigos físicos e psicológicos, tudo isso para resgatar a sanidade daqueles que caíram nas fendas do vício e da impureza. Pois afinal, tratar um usuário de crack mantendo ele completamente dopado de substâncias vendidas na farmácia parece ser uma boa idéia (um coquetel de Fenergan, Haldol e Diazepan, coisa leve, “recreativa”, diriam os defensores da legalização). O problema parece se situar mais na espiritualidade corrompida do jovem, que se entrega ao hábito ilícito, do que no fato dele não ter controle sobre o uso do próprio corpo, virtude que se mostra negada à força nesse tipo de clínica estilo “Auschwitz”.
Como também vimos recentemente numa pesquisa da Fundação Perseu Abramo, os usuários de drogas são, ao lado dos ateus, as pessoas mais odiadas pela população. Isso nos aponta tanto o descaso público com relação a esse tipo de estabelecimento brutal (que são vários, embora a denúncia só tenha revelado um) e também o que leva aos donos e aos profissionais que lá trabalham a aceitarem esse tipo de “proposta”.
O drogado, segundo essa lógica, é uma pessoa inimputável, está completamente fora de si em razão da fissura pela droga. Logo, ela deve ser submetida, necessariamente, a coisas as quais ela não vai gostar, a começar pelo afastamento compulsório da droga (saúde nesse caso é sinônimo de abstinência.Das drogas ilícitas claro, ninguém liga para um café ou uma cervejinha). Se já não bastasse esse ideal de abstinência, carregado de ranço e proselitismo religioso, os meios de atingi-lo também parecem mais com as cruzadas cristãs, que invadiam, massacravam e pilhavam em nome de Deus.
Ao negar a cidadania ao dependente de drogas, abra-se mão de tratá-lo como humano. Pior, abre-se mão de tratá-lo como alguém que pode necessitar do sistema de saúde como todos os outros cidadãos. A lógica da abstinência coloca-a como a mais imprescindível das prerrogativas até mesmo para o atendimento de saúde. Até que o dependente pare definitivamente e para sempre de usar sua substância (ilícita), todos e quaisquer problemas de saúde que ele venha a ter serão em função desse uso, e de nada adiantará tratá-lo, pois a saúde definitiva não pode se distanciar do respeito às leis. O fascismo não necessita mais de suas figuras carismáticas para impregnar a sociedade de suas idéias e suas metodologias.
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